Uma equipe pequena para uma programação imensa



Alunos da UFRJ se desdobram em sua primeira cobertura jornalística

por Carolina Carvalho

Eram oito da manhã do primeiro dia de congresso quando quatro estudantes de Comunicação da UFRJ visivelmente aflitas se encontraram na entrada do campus. Faltava ainda uma hora para o início do Encontro de Jovens Pesquisadores, primeiro acontecimento da programação da SBPJor, mas elas queriam discutir sobre o que estava por vir, numa tentativa de atenuar a insegurança.

“Eu estava nervosa, com medo de fazer alguma coisa errada e comprometer o trabalho”, contou Marcelle Felix, sorrindo, ao lembrar da cena. “Sabia que a minha presença iria fazer diferença. E se acontecesse alguma coisa e eu faltasse, como seria? É muita responsabilidade.”

Foi com essa vontade de acertar que as alunas se despediram quase uma hora depois, desejando sorte umas às outras, indo em direção às salas onde aconteceriam as apresentações. Ao contrário da maioria das pessoas que andavam pelos corredores, elas não iriam expor seus projetos de pesquisa. Na verdade, o que as preocupava era sua primeira participação em uma cobertura jornalística – para piorar, em tempo real.

O grupo contava ao todo com oito alunos, que produziram, ao longo dos três dias de evento, matérias para o site do encontro – além de cobrir ao vivo, no twitter oficial da SBPJor, as principais mesas e painéis. A preparação começou bem antes, ainda em setembro, quando os repórteres passaram por uma preparação que durou vinte horas, distribuídas em várias semanas. A oficina foi ministrada por Ricardo Cabral, estudante de jornalismo da UFRJ e bolsista do PET-ECO, núcleo que apoiou a organização da SBPJor. Mais experiente que os recém-chegados à universidade – todos alunos do primeiro ou do segundo período –, ele não só os ajudou na tarefa de entender os moldes do texto jornalístico, como os incentivou a debater a profissão.

“Foi muito bom. Antes eu não tinha noção de como se fazia uma cobertura”, contou Marina Lemos sobre as reuniões. “A gente escrevia, depois reescrevia, o Ricardo corrigia e dava sugestões. Serviu para praticar, porque a gente ainda não teve aulas sobre isso.”

Durante o congresso, em meio a muita correria correria, os repórteres cobriam as atividades e enviavam os textos a Ricardo, que editava e publicava a versão final na página do evento. Apesar do treinamento na oficina, o maior aprendizado veio com a prática. Afinal, ser jornalista é, também, saber trabalhar sob pressão e lidar com situações difíceis. Foi o que aconteceu com Gabriela Pantaleão e Raphaella Arrais na sexta-feira. As duas haviam se preparado para cobrir via twitter um dos painéis mais esperados, com o australiano Axel Bruns, quando descobriram que o auditório não tinha sinal de internet.

“Eu não sabia o que fazer”, desabafou Gabriela. “Tentamos ligar para o celular do Ricardo, mas descobrimos que o número estava errado na folha de contatos que recebemos.” Correram, então, para a CPM, onde o Painel estaria sendo exibido ao vivo, mas a transmissão começou com alguns minutos de atraso. Conclusão: a parte inicial da apresentação não entrou na cobertura.

Para Nathalia Levy, aluna do segundo período, os três dias de evento também foram atribulados. Logo no primeiro dia, ela cobriu apresentações pela manhã e pela tarde, apressando-se para escrever as matérias no horário do almoço. Acabou deixando de comer. “Tive que terminar de escrever à noite”, disse. “As matérias ficaram prontas às duas da manhã.”

Mas se as dificuldades serviram de aprendizado profissional, contorná-las foi o suficiente para aumentar a autoestima dos participantes. E só o fato de cobrir o evento já foi a recompensa. “Passei a gostar ainda mais de jornalismo”, revelou Marcelle. “A experiência me deu mais vontade de continuar.”