Internet: causalidade histórica é perdida



Organização dos arquivos, no entanto, poderia reverter o problema

por Raphaella Arrais

Na sessão 22 das Comunicações Livres, neste sábado, pesquisadores sublinharam a importância do jornalismo para memória. Para eles, a grande rede estaria falhando em colocar-se como um lugar de memória. A organização dos arquivos, porém, poderia ser uma solução.

Gabriela Nóra, doutoranda na UFRJ, criticou a hiper-segmentação do jornalismo online. A contextualização das notícias fica por conta apenas dos links anexados às matérias que, segundo ela, não dão conta de proporcionar uma visão geral das situações. “A causalidade histórica está sendo perdida”, afirmou. Ela explicou que, com o jornalismo impresso, as pessoas tinha acesso a vários tipos de conteúdo diferentes no mesmo meio. “Antes abríamos o jornal e acabávamos, mesmo que involuntariamente, lendo vários tipos de notícias. Agora é só assinar um RSS feed e você só recebe informações sobre o que você quer”, concluiu. É nesse ponto que se perderiam as trocas, já que as pessoas focariam apenas nos seus interesses e esqueceriam do resto.

Segundo Gabriela, as novas tecnologias trazem instabilidade, já que tudo acontece de forma muito rápida e fragmentada. Entretanto, elas também dariam a sensação de estabilidade, por seu poder de armazenamento. “As pessoas vivem dizendo que suas vidas estão nos seus pen drives. É a era da aceleração e da memória arquivista”, completou. Ela defendeu a criação de narrativas densas. “Seja pelo jornalismo impresso ou virtual, a mídia tem o papel de guardar a memória”, defendeu.

Allysson Viana Martins, da UFBA, acredita que, se fosse feito de forma organizada e coerente, o arquivamento de dados poderia ser útil tanto para o produtor da informação quanto para o consumidor. “Não adianta ter os arquivos e não saber como organizá-los e usá-los na nossa produção”, apontou. Ele afirmou que, mesmo com o espaço ilimitado da internet, muitas notícias e informações acabam se perdendo: as pessoas não vão em busca delas e, consequentemente, o conteúdo fica inutilizado.