Para dispositivos móveis, repórteres estão defasados



Ao mesmo tempo, ética sofre com falta de apuração

por Marcelle Felix

Na sessão “Jornalismo digital e tecnologias móveis”, das Comunicações Coordenadas deste sábado, as apresentações apontaram para os problemas do repórter ao lidar com as inovações tecnológicas. “Eles resistem e não evoluem suas habilidades, porque não recebem mais por isso”, explicou Cláudia Quadros, professora do Programa de Mestrado em Comunicação e Linguagens da UTP.

Lia Seixas, professora de jornalismo da UFBA, ressaltou que a informação apresentada em dispositivos móveis, como celulares e tablets, exige uma mudança na forma de mostrar o conteúdo.  Os diferentes meios revelariam diferenças na linguagem, na forma de lidar com a memória e com o espaço. “O próprio hábito do consumidor de visitar o site gera mudanças na forma de apresentar o conteúdo”, explicou.

Já Fernando Firmino, professor da UEFB, afirmou que o foco do jornalismo não se direciona para a pesquisa prática do uso de tecnologias móveis, apesar de muitas vezes ser exigido no campo de trabalho. “Os jornalistas demoraram dez anos para descobrir como lidar com as notícias na internet. Agora quantos anos serão até se adaptarem à internet móvel?, questionou.

Firmino explicou que a rapidez do surgimento de novas tecnologias aumenta a possibilidade de defasagem de uma empresa. Para os jornalistas, aconteceria uma alteração na sua rotina. “Antes só era preciso papel, caneta e lápis para se fazer uma reportagem”, lembrou o professor.

De acordo com ele, apesar de haver uma variedade de materiais e meios de comunicação, ainda existem jornalistas que usam apenas caneta, lápis e papel. Segundo Firmino, existe um grupo de pessoas que começaram a exercer o jornalismo há muitos anos e agora não conseguem se adaptar. “O problema está no processo de formação, porque o jornalista identifica essa defasagem”, acrescentou.

Com relação à ética profissional em meio a tantas mudanças, a coordenadora da sessão e doutora pela UFBA, Luciana Mielniczuk, sublinhou que, com a rapidez do trânsito de informações, “é mais complicado verificar os fatos”.